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O PORQUÊ DAS CINZAS.

Na próxima semana estaremos em pleno clima de carnaval, iniciado na sexta feira próxima. É comum ouvirmos que o Brasil é o “país do carnaval”. Período que deveria ser de alegria, diversão, mas que infelizmente ao longo das últimas décadas, deixou de ser um encontro de folia familiar para se tornar um período de abusos, onde se romperam os limites da intimidade, e confundiu-se diversão com uma “liberação geral”, em que lembramos a frase de Dostoiévski:   “- Se Deus não existe, tudo é permitido.” Realmente, o carnaval passou a ser um período em que muitos se afastam de Deus, para que tudo seja permitido. Mas o carnaval termina na quarta-feira, que passou a ser um dia mais esquecido, e até aborrecido, porque acabou a folia e temos que voltar a normalidade,… É a quarta-feira de cinzas, que muitos falam sem sequer saber o que significa.

Inicia-se na quarta-feira de cinzas um período de quarenta dias, descontados os domingos, em que todos, que pertencem a Igreja Católica, devem se preparar para a Semana Santa. É o que se denomina Quaresma. E o porquê das cinzas? Para responder a esta questão é fundamental que se reflita para que se está se preparando. Disse que estaremos indo em direção a Semana Santa, época na qual se comemora a Paixão, Morte e Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo. É a celebração da nossa Redenção, em definitivo, para uma nova vida.

Para esta preparação inicia-se com um ato de reparação em relação às faltas cometidas, um ato de arrependimento. É a condição de se aproximar, ainda que indignamente, desta festa maior da Igreja que é a Páscoa do Senhor. Para tanto é preciso examinar-se intimamente, e daí ser o período de Quaresma uma época assinalada pela Igreja quando se deve procurar o Sacramento da Penitência ou Reconciliação de uma maneira mais intensa. Não quer dizer que se deva confessar somente na Quaresma, pelo contrário, este maravilhoso sacramento deve ser recorrido pelos católicos de modo freqüente para que possa mediante a sua graça propiciar o crescimento da vida interior. Não é necessário estar em pecado mortal para se confessar, mas fazer deste sacramento uma oportunidade de perceber de modo cada vez mais claro o que Deus espera de cada um, de aguçar olhos e ouvidos para enxergar e ouvir melhor o que Deus pede e revela.

Esta condição de atitude de arrependimento ao longo dos séculos foi muitas vezes associada, na história bíblica, ao uso de se cobrir de cinzas, que materializa duas condições do arrependido: primeiro a de revelar o aniquilamento do orgulho pessoal, da vaidade, da arrogância, que se opõe a necessidade da graça recebida de Deus e imprescindível para todo homem se realizar em plenitude no caminho que deve conduzi-lo ao longo da vida. Segundo, para que se lembre que “és pó e ao pó voltarás”. Em outras palavras, a materialidade é efêmera, e tudo que comporta a vida material se esvaece com a morte, restando o espírito que segue para eternidade. Não quer dizer que ao longo da vida não se deva cuidar do corpo, assim como de toda condição material necessária para viver dignamente, mas sem contudo se apegar a ponto de comprometer os objetivos de vida com esta “passagem” finita, e esquecer o compromisso com a eternidade para o qual foi criado.

Assim, na missa da quarta-feira de cinza o sacerdote colocará um punhado de cinzas na cabeça dos fiéis para que se recorde destas condições e se possa humildemente se introduzir na Quaresma.

Na próxima terça voltaremos a falar sobre esta preparação e assim entraremos decididamente no período da Quaresma.

Um só coração, um só bolso

Ola pessoal

Depois do do post1 e do post2 sobre o tema, terminamos hoje a “trilogia” do Trabalho e Temperança. Vamos abordar o ultimo tema deste post.

Olhem o que lemos no famoso trecho de Genesis 2,24, conhecido por todos os noivos no dia do casamento:

Portanto deixará o homem o seu pai e a sua mãe, e apegar-se-á à sua mulher, e serão ambos uma carne.

E reforçado em mais dois trechos:

  • Matheus 19,5:E disse: Portanto, deixará o homem pai e mãe, e se unirá a sua mulher, e serão dois numa só carne?  Assim não são mais dois, mas uma só carne. Portanto, o que Deus ajuntou não o separe o homem.
  • Efésios 5,28-31: “ Assim devem os maridos amar as suas próprias mulheres, como a seus próprios corpos. Quem ama a sua mulher, ama-se a si mesmo. Porque nunca ninguém odiou a sua própria carne; antes a alimenta e sustenta, como também o Senhor à igreja; Porque somos membros do seu corpo, da sua carne, e dos seus ossos. Por isso deixará o homem seu pai e sua mãe, e se unirá a sua mulher; e serão dois numa carne.

Com o advento do trabalho da mulher, criou-se nesta nossa geração, o que estamos chamando de 2a fonte de renda da familia, que nada mais é do que o salário da esposa.

Não há dúvidas da evolução e conquista das mulheres neste caso. Muito merecida do ponto de vista do talento e  competência  delas porém, aqui pode nascer um grande problema dos casais e familias atuais. O famigerado “O meu e O seu….”

Na ocasião do casamento, os noivos  celebram a mudança de uma vida independente para o inicio de uma vida em comum. O ser “uma só carne” representa exatamente isso, ser um só.

Porém juntando as duas realidades, muitos casais tem vivido uma “união de corações e uma separação de sonhos”, onde cada um financia com seu sálario seus sonhos, suas necessidades ou vontades, sem uma harmonia com o casal.

Já ouvi casos como estes:

  • “O dever de manter a casa é do meu marido… ele põe todo o salario dele pra pagar as contas. Eu uso o meu pra gastar com minhas coisas, tipo salão, bolsas, etc…”
  • “eu gasto meu sálario com o que eu quero e ela gasta com que ela quer. Eu não me intrometo com os gastos dela e ela não se intromete nos meus…”

Casos como estes exemplos merecem muita atenção. Apesar de estarem casados, cada um vive seu “mundo” separado do outro. Não cumprindo totalmente o que foi prometido no altar.

Em famílias em que ambos estão empregados e tem seus sálarios, uma experiência em que estas rendas fundam-se em uma única renda familiar sem barreiras,  imposições ou restrições, pode ser bastante enriquecedora do ponto de vista do senso comum de um casal. Este dinheiro pode ser posto em comum, onde todas as contas da família são pagas e o restante possa ser empregado em toda a família (um vestido para filha ou um relógio para o marido, uma bolsa ou sapato para a esposa). E também para que possam projetar um futuro juntas (compra do apartamento, ou troca de um carro ou até uma viagem de férias em familia).

A união financeira de um casal é tão importante quanto a união dos corações, esta proferida em juramento no altar. Os casais que optem por  fazê-lo podem colher grandes frutos no que se diz a partilha e despendimento. Pontos estes abordados nos posts anteriores.

Usando o texto bíblico como base, gostaria de propor:  “E serei uma só carne. Com o coração e sonhos…”

até semana que vem !

Tive a honra e o prazer de ser convidado para escrever aos sábados nesse blog. Pela qualidade das postagens e dos colunistas, sinto o peso da responsabilidade que me foi conferida.

Espero corresponder à altura, e nesse sentido peço a Deus que me ajude!

Apesar de já ter escrito alguns artigos aqui, o meu primeiro artigo como colunista oficial  quase não terá minha autoria. Pedi licença a um grande amigo português, José Carlos Sepúlveda, para transcrever a “Carta Aberta aos deputados portugueses” escrita por ele, para questioná-los sobre o projeto de Lei que legalizaria o “casamento” entre pessoas do mesmo sexo.

O texto por si é auto-explicativo, uma lição de moral e democracia a políticos que supostamente deveriam defender o sistema para o qual foram eleitos. A carta foi transcrita em um dos principais diários daquele país, o Diário de Notícias, e está sendo divulgada por todo Portugal.

Como o projeto de “direitos humanos” assinado pelo nosso presidente da república prevê, entre outras coisas, o mesmo tipo de “união civil”, achei que era importante aos brasileiros conhecer o conteúdo desta carta. No futuro ela pode nos servir de inspiração…

Com vocês a pluma do articulista José Carlos Sepúlveda da Fonseca, diretor da associação Acção Família em Portugal:

Carta Aberta que encaminhei aos Deputados da Assembleia da República a propósito do tema do assim denominado “casamento” homossexual, debatido na Assembleia da República.

Senhores(as) Deputados(as),

Na terça-feira (dia 5), a imprensa noticiou que a maioria de esquerda se prepara para chumbar no Parlamento a proposta de um referendo sobre o “casamento” entre homossexuais.

Esse anúncio deu-se exactamente no dia em que foi entregue ao Presidente da Assembleia da República uma petição de 90.785 subscritores, solicitando que os portugueses sejam directamente consultados a respeito de um projecto legislativo, que abala no seu cerne os princípios fundamentais sobre os quais assenta a sociedade portuguesa, em particular, no que diz respeito à instituição da Família.

O anúncio da recusa sumária à possibilidade de um referendo é de molde a causar um choque, pela desconsideração e intransigência que revela por parte de um órgão de soberania, cuja principal preocupação, num regime que se diz democrático, deve ser a de auscultar cuidadosamente as disposições da opinião pública nacional.

Através desta Carta Aberta, como cidadão português, apelo à sensibilidade política de VV. Exas., Senhores Deputados e Senhoras Deputadas da Assembleia da República, independentemente da orientação político-ideológica dos partidos a que pertencem, a fim de que evitem encerrar-se física e psicologicamente no hemiciclo de S. Bento, agindo como uma casta que vira as costas ao país real e à sensibilidade profunda do eleitorado que deveriam representar.

O princípio do mandato popular em nome do qual VV. Exas. se manifestam e votam, exige que a representatividade do mesmo seja inequívoca, sobretudo em matérias transcendentes para a conformação e futuro da sociedade portuguesa.

É bem verdade que há quem alegue que tal consulta popular já se deu, uma vez que os eleitores concederam maioria parlamentar aos partidos que consignavam nos seus programas eleitorais o projecto do assim chamado “casamento” homossexual.

Tal argumento constitui, a meu ver, um mero formalismo democrático, um legalismo sob cuja capa se quer escapar à consulta directa que se impõe.

Antes de mais, porque de todos os partidos que agora incentivam e apoiam tal projecto ou as variantes da chamada união civil, apenas um (o Bloco de Esquerda) foi inteiramente inequívoco na sua proposta eleitoral.

Além disso, como poderá alguém sustentar honestamente que tal proposta de consagrar na legislação, com o reconhecimento de amplos direitos, o “casamento” ou as uniões civis entre homossexuais tenha sido objecto de um largo e aprofundado debate na sociedade portuguesa, por ocasião da campanha para as legislativas de Setembro de 2009? E como sustentar, então, que o eleitorado se tenha pronunciado de modo incontestável a tal propósito?

É necessário igualmente levar em conta que, ao votar num partido, o eleitor é condicionado por uma série de circunstâncias próximas e de necessidades imediatas da própria vida pública do País, não implicando por isso a sua escolha uma adesão consciente e incondicional a todos os pontos programáticos apresentados por essa força política, uma vez que não tem a possibilidade de, ao votar, tornar autónomas as propostas programáticas, adoptando umas e recusando outras.

Neste sentido, um dos exemplos mais frisantes ocorreu nos Estados Unidos, há pouco mais de um ano. Embalado por uma campanha mediática sem precedentes, Barack Obama foi eleito com a sua agenda em prol da mudança, na qual constava o casamento homossexual. Na Califórnia, Estado de tendência progressista, Obama venceu as eleições. Nesse mesmo dia, entretanto, muitos dos eleitores que lhe dream o voto, manifestaram-se, em referendo, contrários à consagração do “casamento” homossexual na legislação, impedindo que o mesmo fosse aprovado.

VV. Exas. poderão escudar-se nessa ténue legitimidade democrática resultante do mandato que lhes foi outorgado pelos eleitores nas eleições legislativas de 27 de Setembro de 2009. Mas se encararem, com um mínimo de honestidade, o jogo político, reconhecerão que tal legitimidade constitui apenas um álibi. Álibi que accionam contra o próprio eleitorado, como se este fosse um adversário a ludibriar e vencer.

Fiquem certos, porém, de que uma impressão não se esvanecerá do espírito público, a de que VV. Exas. agem como uma oligarquia que submete o País aos seus desígnios – tantas vezes radicais – voltando-lhe as costas.

Alegam ainda os defensores da introdução do “casamento” homossexual que tal legislação se impõe, por ser uma “mudança civilizacional” da qual Portugal não pode estar afastado? Como cidadão pergunto a VV. Exas., desde quando o voto eleitoral lhes confere representação para impor ao País mudanças civilizacionais, que submetam os cidadãos e o conjunto da sociedade portuguesa a transformações de mentalidade, de modos de ser e de pensar?

O extravasar indevido do mandato eleitoral a esses extremos transformaria o mundo político numa verdadeira seita filosófico-religiosa, incumbida de tutelar, com assomos inquisitoriais, os costumes, sentimentos e convicções dos indivíduos.

O conceito de “mudança civilizacional” leva-me a outra reflexão e perplexidade que aqui apresento. Se o alcance da introdução na legislação do “casamento” homossexual ou das uniões civis é de tal monta, terão coragem VV. Exas. de não auscultar directa e especificamente a população a esse respeito?

Terão coragem de o fazer quando mais de 90 mil portugueses (90 mil, Srs. Deputados!) se dirigem a esse Parlamento, teoricamente representante do povo português, e solicitam que se referende decisão de tal gravidade? Como afastar do espírito a impressão que fica a pairar de que entre VV. Exas. há muitos que receiam confrontar-se com os autênticos sentimentos e convicções da opinião pública?

A aprovação do “casamento” homossexual ou a consagração legal das uniões civis entre homossexuais trarão necessariamente a reboque outros graves problemas, que implicarão novas legislações altamente controversas. Os acirrados debates sobre a adopção de crianças por “casais” homossexuais são apenas um exemplo disso.

Srs. Deputados e Sras. Deputadas, a situação política criada em torno deste tema impõe a realização de um “referendo”. A menos que VV. Exas. reconheçam que vivemos sob a alçada de um Estado tutelador das consciências e dos costumes públicos, travestido de democrático.

Olá a todos os leitores do Casa de Família!!! Bem vindos ao “No sofá da sala”!!!Vamos relembrar um clássico do cinema, filmaço (como diria um amigo meu) para alguns e nem tanto para outros… Nem tanto, pois não pensaram bem no filme. Tenho certeza de que depois desse brinde do nosso amigo Rafael Ruiz, irão mudar de idéia!!!

Antes disso, que tal lembrarmos um pouquinho do filme?

POR QUE MATRIX TEM PODER DE ATRAÇÃO?

Por Rafael Ruiz, Professor de História de América Colonial da Universidade de São Paulo
O mundo de Matrix, um mundo que nos identifica e nos nomeia enquanto pertencentes ao “mundo moderno”, está dividido em dois: aqueles que confiam nas máquinas e aqueles que confiam, que ainda confiam, nas pessoas.O mundo da máquina é o mundo, como diria o agente Smith, com que a gente sempre sonhou. As coisas dão certo, não há nenhuma dúvida, tudo, absolutamente tudo, está sob controle. Já o mundo das pessoas é exatamente o contrário: há muitos furos, há inúmeras incertezas, e tudo, praticamente tudo, está fora do nosso controle.

“Não gosto de pensar que não controlo a minha vida”. É a resposta de Neo no primeiro encontro com Morfeus. É a grande sedução e o grande engano que a Modernidade ofereceu à sociedade humana. Desde que Francis Bacon e Descartes assentaram os princípios do “conhecimento moderno”, a técnica tem realizado inúmeros e inegáveis progressos. O preço a pagar tem sido alto: estamos correndo sério risco de deixar de ser pessoas e nos convertermos num aglomerado de Smiths, porque acreditamos que podemos ter o controle sobre a nossa vida.
Será necessária uma longa aprendizagem, que passa pelo sofrimento, como os clássicos gregos sempre afirmaram, para Neo se convencer de que é melhor se manter humano, continuar sendo pessoa, correndo o risco de viver num mundo incerto, inseguro e, tantas vezes, submetido a falhas.

O decisivo para sair da Matrix é seguir o “Coelho Branco” para chegar até a festa onde Neo se encontrará com Trinity. Por que essa referência a Lewis Carrol e à sua Alice no País das Maravilhas? Porque o Coelho Branco somos nós, tantos de nós, correndo apressados, angustiados, esbaforidos até… “Estou atrasado! estou atrasado! estou atrasado!”, sem saber o sentido de tanta pressa. Só que, para seguir o Coelho Branco, para ter uma reação de estranhamento diante ele, para que realmente a sua pressa nos chame a atenção, é preciso que nos tenhamos feito alguma vez essa pergunta: “Para que tudo isso? Aonde estou querendo chegar? Por que tudo tem de ser assim tão….tão…” Nessa altura não se encontra o adjetivo que defina o mundo em que estamos, mas se encontra a porta de saída dele. É o que Trinity explica para Neo, na festa: “Eu sei por que você vive assim, eu sei por que você não consegue dormir à noite… É a pergunta, Neo. A pergunta é o que nos move”.

O difícil, o verdadeiramente difícil de realizar, é romper com o mundo mecanizado e clean oferecido pela Matrix, onde temos certeza de tudo, até das possíveis falhas que possam acontecer, como o déjà vu, e adentrar num mundo de relações e afetos interpessoais onde o que impera é a incerteza e a insegurança. É por isso que o primeiro contato entre Neo e Morfeus acaba num fracasso. Morfeus fala ao celular tentando ajudar Neo a escapar da perseguição dos Smiths. Se prestarmos atenção, veremos que Morfeus exige que Neo confie nele mais de dez vezes. Na última, quando se vê diante da janela, a resposta de Neo é terminante: “De jeito nenhum”. E os Smiths conseguem agarrá-lo.

O “admirável mundo novo” que seria criado pelos tempos modernos carregaria em si uma profunda desconfiança do homem e uma profunda confiança no sistema dominado pela técnica e a racionalidade. A Modernidade nos ensinou que, se quiséssemos viver em sociedade e ser ao mesmo tempo felizes, não poderíamos depositar a confiança no homem, comprovadamente um dos seres mais falíveis do planeta, se não o mais. Tínhamos de optar por confiar na razão pura, na técnica precisa, na ciência objetiva. Uma das conseqüências mais funestas do triunfo da “razão eficiente” no mundo contemporâneo é o argumento de que a simples razão, a pura técnica se justificam porque “é assim que a coisa funciona”. O que Matrix resgata em cada um de nós é precisamente a pergunta: “E se as coisas não fossem assim?” Basta olhar para uma grande parcela da humanidade para dar-se conta de que nem todos se importam com esse tipo de argumentos, de que a eficácia e a eficiência não são os valores supremos para a maioria das pessoas, de que são muitos os que não estão dispostos a pagar o preço que a técnica cobra do mundo moderno: a renúncia a continuar sendo humanos.

Matrix fala do mundo virtual e de programas que se autocarregam, e esbanja uma enorme quantidade de efeitos técnicos e especiais. Mas fala também de que se torna preciso o reencontro do homem consigo mesmo. Um homem que não esteja cindido entre razão e sentimento, objetividade e subjetividade, eficácia e ineficácia. Matrix atrai porque tenta responder a um novo modelo de sociedade em que seja possível a existência e a compreensão do homem como um todo; em que não seja necessário proceder a um esfacelamento do próprio homem para poder viver; em que os laços sentimentais e afetivos não entrem necessariamente em choque com raciocínios e argumentos técnicos; em que se possa viver como homens e mulheres, mesmo que às vezes, ou mesmo muitas vezes, “a coisa não funcione”, porque como Morfeus explica a Neo: “há muita diferença entre conhecer o caminho e percorrê-lo”.

Matrix atrai porque propõe o homem como um sistema aberto e em frágil equilíbrio tanto perante o desconhecido, o inefável e o imprevisível, como perante o engano, a mentira e o erro, que são as dimensões e o espaço onde pode exercer-se a liberdade.

Parafraseando uns versos de Walt Whitman perante o mundo vazio e sórdido que lhe tocou viver, Matrix nos força também a perguntar-nos, como o poeta, perante o mundo que nos tocou viver: “O que há de bom em tudo isto? Resposta: que você está aqui; que a vida existe e que há identidade. Que o poderoso jogo da vida continua, e você pode contribuir com um verso”. Mas, para dar ao mundo o nosso verso, é preciso que queiramos continuar sendo humanos, fragilmente humanos.

Fonte: Quadrante

Link do filme no IMDB (Internet Movies Database): http://www.imdb.com/title/tt0133093/

A atitude de corrigir um filho sempre gera um momento desagradável para o mesmo, por menor que seja o erro ou a situação que se esteja corrigindo. Ainda que usemos de boas palavras e nem alteremos o tom de voz, as crianças não gostam de serem corrigidas e por vezes querem se esquivar de seus erros. Quando chega a adolescência, a situação fica mais delicada, pois o filho está descobrindo o mundo e pensando que já sabe se cuidar sozinho. Então é preciso muita sabedoria para agir corretamente em cada caso. Recentemente, nosso filho mais velho agiu de maneira que me chateou sobremaneira. Nada de grave, mas agiu mal e ainda tentou jogar o problema para os irmãos menores. Estragou parte de um móvel da casa, alegando que já estava velho e que agora precisava ser trocado pois alguém havia feito aquilo. Naquele momento, apesar da chateação, não me alterei e não o adverti, mas ao rezarmos juntos antes de dormir, levei-o a uma reflexão sobre o ocorrido, de modo que ele mesmo assumiu o que tinha feito e desculpou-se. No dia seguinte, mesmo sem ter sido recomendado, fez um reparo no local onde havia danificado.

Este tipo de situação me fez lembrar de um trecho do livro “Educar pela conquista e pela fé” (Prof. Felipe Aquino, Ed. Cléofas, 2006) onde ele descreve um fato da vida de Michelangelo, transcrito abaixo.

“Um dia ele (Michelangelo) foi com seus alunos às montanhas de pedra da Itália, para escolher as enormes pedras a serem esculpidas no atelier. Aquelas pedras, como que magicamente, se transformavam em santos, anjos, papas … nas mãos do gênio. Eis que ele viu um bloco de pedra na montanha e disse aos alunos: _ aí dentro há um anjo, vou colocá-lo para fora!_ Levaram a pedra para o atelier, e lá, com o seu trabalho o anjo foi surgindo na pedra. Os discípulos ficavam maravilhados com o milagre do gênio, e lhe perguntavam como ele conseguia aquela proeza. Ele respondeu: _ o anjo já estava aí, apenas tirei os excessos que estavam sobrando _”.

Educar é, pois, uma arte que exige paciência, amor e esperança diante dos “excessos” que precisam ser removidos da vida de nossos filhos, até que surjam os “anjos” que estão presentes em cada um deles. Não desanimemos diante das dificuldades que o processo de correção dos filhos exige de nós pais e prossigamos confiantes que, no tempo próprio, tudo vai se tornando mais conforme os desígnios de Deus na vida de todos nós.

Anjo da Guarda

Ola

Tenho conversado com muitos pais ultimamente e tenho visto que muitos pais ficam perdidos e inventam mil e um “procedimentos”  para colocar os filhos para dormir. Para vocês, gostaria de sugerir uma oração para que incluir nos “procedimentos” de sono. Esta é uma ótima oração para colocar as crianças para dormir. Pois invoca a proteção do Anjo da Guarda:

Santo Anjo do Senhor

Meu zeloso guardador

se a ti me confiou a Piedade Divina

sempre me rege

sempre me guarde

sempre me governe

me ilumina sempre. Amém

“ A Palavra acreditada, anunciada e vivida impele-nos a comportamentos de solidariedade e de partilha. Ao louvar o Senhor pela ajuda que as comunidades cristãs souberam oferecer com generosidade a quantos bateram às suas portas, desejo encorajar todos a dar continuidade ao compromisso de aliviar as dificuldades em que se encontram hoje numerosas famílias provadas pela crise econômica e pelo desemprego.” Papa Bento XVI . L’OSSERVATORE ROMANO 09/01/2010.

As palavras pronunciadas pelo Papa no início deste ano muito nos leva a pensar em quais dificuldades vivem hoje as famílias, e por quais motivos.  Há várias décadas a sociedade fomenta uma cultura do consumismo e do hedonismo, onde a cada dia se privilegia mais os que possuem a capacidade de ter (comprar) do que os que se esforçam em crescer na sua constituição de pessoa. As famílias que outrora eram elogiadas pelo número de filhos fecundos, hoje assustam, quando não passam por ridículas diante dos olhares daqueles que julgam um absurdo “colocar tantos filhos” no mundo. Se no passado as famílias numerosas obtinham algum favorecimento nos seus tributos, quer na educação, como na saúde e lazer, hoje pelo contrário são tributadas quase que por castigo. Tudo está cada vez mais sendo confeccionado para as pessoas que moram sozinhas, ou um casal quiçá tenha se aventurado a ter um filho. Não há mais descontos pela prole numerosa. Entenda-se numerosa qualquer número que seja superior a dois!

Desta forma a crise econômica fere frontalmente aqueles que diante da fé, corajosamente levam a diante o projeto da liberdade de ter responsavelmente o número de filhos que lhe sejam permitidos educar com dignidade. Dignidade que não significa ter uma TV para cada um, um celular último modelo para cada um, a roupa de griffe mais cara, ou visitar a Disney . Mas dignidade que significa educar os filhos para se tornarem pessoas responsáveis, e livres, com espírito de solidariedade e melhor capacidade de compreensão sobre a cidadania.  Filhos que possam ter a oportunidade de conhecer e viver a fé passada por seus pais.

Mas estas dificuldades não estão somente no campo material. Alastra-se para o modelo de moralidade onde o egoísmo supera o altruísmo, e ser generoso é sinônimo de ser bobo. Observar as tradições está ultrapassado, anacrônico, e o futuro é uma incerteza que só interessará se chegar a se tornar um presente. Deixar um mundo melhor para quem virá é problema para quem sobreviver, pois o importante é “viver bem” o dia de hoje, nem que para isto seja preciso acabar com o mundo!

A solidariedade que nos pede o Papa, certamente passa pelas necessidades materiais que são pertinentes a existência humana, como recentemente temos assistido no Haiti. Contudo, não podemos fechar o nosso horizonte aí, é preciso ir mais longe. É preciso perseverar no bem que conduza a formação humana de verdadeiros filhos de Deus.

Termino com o diálogo que ouvi de dois amigos:

“ – Você está maluco em colocar filhos para sofrer neste mundo!” Dizia um. Ao que retrucou o outro.

“- Eu prefiro acredito que os filhos que Deus me confiou deverão melhorar este teu mundo maluco.”

O homem vive a sua esperança. Não a esperança da incerteza, mas da certeza na palavra de Deus.

De mãos amarradas…

Certa vez ouvi de um executivo de uma grande empresa:

estamos todos no mesmo barco. O que eu posso fazer é dizer a vocês que é hora de remar, eu não posso fazer mais que isso; avisar vocês. Eu não remo mais, quem deve remar são vocês…

Fiquei uns momentos refletindo aquela frase. Quantas pessoas almejam alcançar altos cargos para exercer poder e liderança… Porém aquela frase não me demostrou esse poder.

O antagonismo da mensagem desta frase me fez pensar quanto a busca por poder com um alto cargo pode ser decepcionante. Imagine que um profissional lute durante 10 anos para chegar a um cargo de diretoria ou vice presidência de uma empresa e no final das contas, ele precisa mesmo é que o funcionário operacional, realize as tarefas por ele designadas, senão ele (diretor) estará com problemas, ou seja, se o empregado no inicio do ciclo de vida não acatara ordem, do que adianta olhar em frente.

Ao ver um profissional neste nível hierárquico sendo arrogante e até mau educado com subordinados ou com profissionais que o servem (garçons, motoristas, etc), é que eu vejo como estas pessoas enxergam o mundo de modo muito errado… o próprio Jesus nos diz as ações que devem ser tomadas por aqueles que nos lideram:

Em casa, Jesus lhes perguntou: O que era que discutíeis no caminho? Eles se calaram porque no caminho tinham discutido quem seria o maior. Então Jesus sentou-se, chamou os Doze e lhes disse: Se alguém quer ser o primeiro, seja o último e o servo de todos.” Evangelho Marcos 9, 32

até semana que vem

No último dia 22 de janeiro completaram-se 37 anos da decisão judicial Roe v. Wade que mudou o rumo dos Estados Unidos. Com efeito, nessa data, em conseqüência da dita decisão, o aborto passou a ser legalizado naquele país.

Apesar de a História ter demonstrado que a citada decisão foi tomada tendo por base falsas provas, o crime do aborto nunca mais foi criminalizado e o número de abortamentos cresce de forma vertiginosa deste então.

O mundo mudou, a maioria dos americanos é, já há alguns anos, contra a realização de abortamentos, segundo os institutos de pesquisa. Mas a lei continua implacável contra a vida de seres inocentes.

Desde o ano de 1973 uma grande manifestação é realizada pelas ruas de Washington todo 22 de janeiro, em pleno rigoroso inverno, como protesto pelos milhões de seres que são mortos no ventre materno. Ano a ano o número de participantes aumenta e em 2009 a mídia do mundo inteiro destacou a marcha como sendo a primeira grande manifestação pública contrária a governo de Barack Obama, um político militante pró-aborto.

O então recém empossado governo passou apertado: não só era a primeira das várias manifestações que o povo americano vem dado contra a sua fracassada política, mas a marcha provou que o povo americano não se deixaria levar tão facilmente.

Ainda envolto naquela época pela áurea colocada pela mídia de “salvador da pátria e do mundo”, parecia aceitável aos órgãos de imprensa noticiar uma manifestação de “alguns manifestantes” – na verdade eram quase 350 mil – descontentes.

Entretanto, qual não foi minha surpresa ao perceber que em 2010 os jornais do mundo silenciaram por completo a “March for Life” deste ano. Terá sido para poupar o agora impopular governo de Obama de mais uma demonstração de descontentamento que sua política vem recebendo? Não sei, mas a diferença entre as repercussões do ano passado e as que surgiram na mídia este mês de janeiro é gritante.

Como defensor da vida, este blog não poderia deixar de noticiar tão importante evento!

As fotos enviadas pelo nosso amigo Francisco Saidl mostram momentos da manifestação que neste ano reuniu por volta de 400.000 pessoas, em sua grande maioria jovens e famílias, vindas de todos os lados dos Estados Unidos.

Este ano, adaptada a novos métodos de tecnologia, a marcha contou com a participação de 83.000 pessoas que estiveram diante de seus computadores virtualmente presentes durante os discursos e da macha que partiu da frente da Casa Branca e terminou na Assembléia dos Deputados. O link para participação online da marcha é o http://www.virtualmarchforlife.com/

Como nos Estados Unidos, as pesquisas indicam que no Brasil somos uma maioria contrária a uma legislação pró-aborto, apesar disso o governo insiste em querer impor uma lei impopular e discriminatória contra indefesos humanos. O próprio documento recentemente assinado pelo presidente da república sobre os “direitos humanos” prevê uma legislação que estenderia o abortamento no Brasil.

A esperança é saber que há tantos grupos Pró-Vida espalhados pelo Brasil e ativos. A manifestação em Washington é conhecida por sua pluralidade internacional e tivemos a presença de alguns desses grupos brasileiros, como o Instituto Brasil pela Vida e o Juventude pela Vida, liderados por nada menos que o bisneto da princesa Isabel, o príncipe Dom Bertrand de Orleans e Bragança.

Vale a pena continuar lutando pela vida!

Jovens de todas as cores e raças defendendo a vida

Famílias com seus filhos participaram da marcha

Uma parte da marcha se dirigindo ao Capitole

O início da marcha é sempre precedido por um grupo de voluntários com a faixa: “marcha pela vida”

Mais Jovens unidos pela vida.

Miguel da Costa Carvalho Vidigal

Olá a todos!!! Viva, hoje é sexta-feira!!! Ninguém é de ferro, certo? Vale um final de semana bem aproveitado para voltarmos com tudo na semana que vem!!!

E falando em aproveitar bem o final de semana, vamos retomar o tema I Congresso dos Leigos de São Paulo, na semana em que foi inaugurado. Vale a pena dar uma olhada em alguns videos sobre a ação do leigo na Igreja, que podemos ser santos na vida corrente:

No video abaixo o Papa nos incentiva a passar de colaboradores a co-responsáveis na missão da Igreja.

Nesse segundo video, onde o tema é a santidade no meio do mundo, é apresentado um trecho de uma homilia de um santo da Igreja, chamado S. Josemaria Escrivá.

Mais videos de S. Josemaria podem ser encontrados em: Opus Dei.

Bom final de semana!!!

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